terça-feira, 12 de outubro de 2010

Projeto Roda Alamoju - Festa das Crianças

O Ilê Axé Oxalá Talabi realizou no último dia 10 de outubro a festa dedicada as crianças. A festa que já é tradicional no calendário festivo da comunidade do terreiro faz parte da programação das atividades e eventos realizados pelo Terreiro através do projeto Roda Alamoju, o projeto tem como um dos principais pilares a utilização da ludicidade como ferramenta de transmissão dos valores e saberes contidos no terreiro, com isso criamos um espaço de lazer e saber que ajuda a desmistificá-lo como local impróprio de socialização e de formação do cidadão.

A festa proporcionou a todos um domingo intenso de atividades e brincadeiras e recebeu cerca de 200 crianças, jovens, pais e mães, todos moradores da comunidade do terreiro e suas adjacência. A programação que foi bastante atrativa para as crianças, contou com a realização de brincadeiras como a corrida de saco, a brincadeira da cadeira, a brincadeira da cabra cega entre outras. Na festa também foram realizados sorteios de brinquedos educativos e livros para as crianças, foram distribuídas cestas básicas para seus familiares, também houve a distribuição do tradicional "saquinho de cosme e damião" e servido picolés, cachoro-quente e o famoso Munguzá de Mãe Dada.

Para Mãe Dada a brincadeira e o encontro com todos realizado através da festa é de grande importância: "Eu sempre vejo a brincadeira como forma de aprender, sempre falo que brincar é aprender, e é com a brincadeira que descobrimos a essência de ser criança. Esta festa que nós realizamos, quando eu falo nós realizamos é porque somos todos nós, todos do terreiro, filhos e filhas e muitos amigos que nos ajudam, as coisas no terreiro geralmente são coletivas... A festa é importante porque mostra que o espaço do terreiro além da religiosidade é aberto para realizações de atividades para todos do bairro..."

OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

3ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

Pela terceira vez a orla da praia de Copacabana no Rio de Janeiro recebeu a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, a caminhada que é realizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa - RJ e pelo Fórum de Diálogo Inter-religioso - RJ recebeu representantes de vários seguimentos religiosos e grupos de várias partes do Brasil.
A ação Griô Nacional esteve presente na caminhada através da articulação em rede criada pelo Instituto Gingas de Cultura Afro-brasileira, grupos culturais se apresentaram na caminhada e membros do Gingas participaram da organização cultural da mesma. A Iyalorixá Mãe Dada, Mestra Griô e Tuxáua participou da 3ª Caminhada junto com filhos do terreiro, Mãe Dada aproveitou o momento para divulgar e recolher assinaturas para a implementação da Lei Griô Nacional. Uma comitiva de Babalorixás e Yalorixás vieram de Pernambuco especialmente para participarem da caminhada.
Mãe Dada de Oxalá e Marcio Caires do Grãos de Luz e Griô


Iyalorixá Pernambucana Elza de Yemanjá assinando a Lei Griô


OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Encontro da Diversidade Cultural - Independência da Cultura

O Encontro da Diversidade – Independência da Cultura, que começou no último sábado, 4 de setembro, na Fundição Progresso, no bairro da Lapa - Rio de Janeiro, contou com a presença de mestres e representantes de diversas manifestações culturais do Brasil, um palco montado na praça dos Arcos da Lapa, movimentou a região central do Rio de Janeiro com apresentações de vários estados.
Logo na noite de abertura, a diversidade e a identidade cultural foram representadas em um show chamado de Chegança Diversa, e logo o público presente imaginou o que estaria por vim durante os três dias do encontro, do Hip Hop Indígina ao Cavalo Marinho, do Samba de Roda do recôncavo baiano a Ciranda de Dona Lia de Itamaracá, a diversidade cultural brasileira estava em festa.
Ao longo dos dias, o Encontro da Diversidade organizou também rodas de convivência que trataram de temas variados. Mãe Dada de Oxalá Iyalorixá do Ylê, Mestra Griô e Tuxáua participou do encontro da diversidade e também das rodas com temas de Espiritualidade e Diversidade Religiosas e das rodas com temas que discutiram a valorização das manifestações de Matrizes Africanas.
Além da programação oficial do encontro, o evento também contou com uma programação paralela e construida apartir dos movimentos naturais dos grupos e artistas presentes. Todos os dias, na hora do almoço, os participantes puderam conhecer novas musicalidades, trocar conhecimentos com mestres da cultura e expressar suas formas artísticas coletivamente, através do palco central montado no meio da Fundição Progresso. O encontro foi realizado pela Secretaria da Identidade e da Diversidade (SID) do Ministério da Cultura.
Serginho da Burra - Cavalo Marinho Estrela do Amanhã de Condado/PE
Mãe Dada e Lia de Itamaracá
OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Projeto Roda Alamoju - Atividades no Espaço Livre de Criação desenvolvem Desenhos dos Orixás.

As atividades realizadas pelo Espaço Livre de Criação do Projeto Roda Alamoju vem desenvolvendo uma série de pinturas de Orixás, já publicamos aqui em nosso blog, na chamada Galeria de Pintura do Projeto Alamoju boa parte dessas pinturas e hoje publicaremos mais dois Orixás, Oyá e Oxalá. Estes desenhos são desenvolvidos por Afine Maida, Aguinaldo Júnior e pelas crianças participantes das atividades. As pinturas são realizadas a partir de contação de contos e histórias dos Orixás, nelas as crianças identificam as características próprias de cada Orixá, seus elementos, suas cores e seus símbolos e isso reflete na criação da arte coletiva, onde as próprias crianças são incentivadas a destacarem nas pinturas os elementos presente na individualidade de cada Orixá. As atividades no Espaço Livre de Criação são realizadas pelo projeto com o objetivo de dar visibilidade e importância a um espaço lúdico de criação, neste espaço são desenvolvidos materiais lúdico-educativo como desenhos, pinturas, caixas etc., o principal foco é destacar a potencialidade de criação das crianças através da realização de atividades que sirvam como ferramente de aprendizagem e bricadeira, resgatando e repassando os contos e as lendas africanas presente no terreiro.
A galeria com todas as pinturas dos Orixás é permanente e pode ser vizualizada aqui no lado direito do blog.

OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Festa Dedicada a Oxum e Cerimônia da Cesta de Oxum

Foi realizado no Ilê Axé Oxalá Talabi neste último domingo de julho (25/07) o Toque (xirê) dedicado ao Orixá Oxum, juntamente com a cerimônia de entrega da Cesta de Oxum.
O mês de julho no terreiro é dedicado a divindade das águas doces, da gestação e da fecundidade. Oxum recebe homenagens e obrigações durante este mês e uma das cerimônias mais importantes neste ciclo litúrgico é a de entrega da "Cesta da Oxum", neste ritual oferendas são levadas ao rio e ofertadas a Oxum, assim como pertences e objetos preferenciais de Oxum.
Este importante ritual realizado no Nagô mantém semelhanças importantes ao realizado em Oshogbo na Nigéria, onde nas comemorações do Festival Anual de Osun, promovesse uma procissão com Atáója acompanhado do seu povo e dos seus hóspedes, princiapalmente da Arugbá Òsun ("aquela que leva a cabaça de Oxum") contendo os objetos sagrados de Oxum, que vão até o rio e lançam oferendas e comidas para esta Orixá.

O Toque (xirê) realizado pelo terreiro segue em "comum" com os demais realizados no ilê, com cânticos entoados e danças para os Orixás Exú, Ogum, Odé e assim sucessivamente, respeitanto as posições estabelecidas pelo xirê e seguindo até o orixá Oxum, quando é retirado do Peji (quarto sagradado dos Orixás) a Cesta, neste momento são entoados cânticos para Orumilá acompanhados do instrumento Abê, filhos e presente no terreiro ajuelham-se perante o centro aonde esta debositada a Cesta e realizam seus agradecimentos e pedidos. Posteriormente todos seguem para o Rio e realizam a entrega do presente de Oxum.

OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Rituais Dedicados ao Orixá Xangô

Durante todo mês de Junho aconteceu no Ilê Axé Oxalá Talabi o ciclo de cerimônias e obrigações dedicadas ao Orixá do Fogo e da Justiça, Xangô. A presença forte do culto a este Orixá é muito marcante nas Casas de Candomblé de Pernambuco, chegando ao ponto de seu nome ser associado ao próprio culto religioso, o chamado Xangô do Nordeste. Quem nunca ouviu aquela expressão: "Vamos a um xangô?" Que seria um convite para uma festa numa casa de Candomblé independente a qual Orixá a festa é dedicada, ou até mesmo o termo "xangozerio" que seriam os adeptos do Candomblé Nagô.
No Ilê Axé Oxalá Talabi o Orixá é homenageado por doze dias do mês de junho, o processo ritualístico inicia-se quando o Peji (espaço sagrado dedicado aos Orixás) é preparado e decorado para as obrigações, e os assentamentos, as contas e os objetos consagrados a Xangô também são purificados. Depois acontece o Ritual do Amalá, a Obrigação de Xangô, com as oferendas dadas ao Xangô da casa e aos Xangôs dos filhos, e seguindo o ritual do Toque de Xangô, o Ritual da Bandeira de Xangô e o Ritual da Fogueira.

A Bandeira é um ritual que homenageia a força do Orixá, as bandeiras que são estendidas aos pés de Xangô, recebem o Axé da divindade e são elementos que representa o quanto o orixá é reverenciado e o quanto os membros do terreiro prestam homenagens ao Deus dos trovões. Aos filhos de Xangô mais velhos da casa no toque dedicado à Xangô é encubada a missão de carregar as bandeiras no cortejo de hasteamento e aos filhos mais novos a missão de recolhê-las. No ritual da Fogueira que é feito sempre às seis horas da noite do dia 23 de junho, acontece a louvação ao fogo e a Airá, a representação simbólica mostra a importância da oferta do fogo como elemento de axé para vitalidade de todos, a fogueira do terreiro em todos os anos é feita e acessa por Srº Aguinaldo Barbosa, fundador do terreiro filho de Xangô e Olofiná.
Para Mãe Dada as obrigações e a festa dedicada ao Orixá são muito importantes para todos do Terreiro: "Xangô é Rei, e Rei merece reverências e festa. Tudo que fazemos durante o mês nos enche de alegria, Xangô é o dono da justiça e por isso é muito importante mantermos nossas obrigações em dias com ele, para podermos ter sempre a justiça ao nosso lado, quando eu falo justiça eu falo de um modo geral, Xangô não aceita mentiras e é muito justo em suas decisões..." O toque dedicado ao Orixá aconteceu no último dia 27/06 concluindo os rituais e homenagens dedicados à Xangô. Os cânticos, danças e saudações foram feitos por todos do terreiros e pelos convidados. No término todos presentes poderam socializar a comida preferida do Orixá, foi servido a comida ritualística de Xangô, o Amalá e o Beguiri, que é um prato preparado com quiabo e azeite de dendê, e também servido o carneiro cozido, o animal preferido de Xangô.
OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Seminário - Terreiros de Pernambuco: Do Cais ao Sertão, Declarem sua Fé.

Foi realizado no dia 18 de junho no SENAC - PAULISTA -PE o Seminário Terreiros de Pernambuco: Do Cais ao Sertão, Declarem sua Fé. O seminário é uma ação da Secretaria Especial de Assessoria ao Governador, do Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnicorracial CEPIR-PE e do Centro de Referência ao Racismo - CRER, para a afirmação da religiosidade no Censo 2010. Muitos Babalorixás e Yalorixás do município de Paulista e de cidades vizinhas como Olinda, Itapissuma e Igarassu estiveram no encontro.

Mãe Dada de Oxalá fez parte da mesa de relatos e experiências com o tema: Enfrentamento ao Racismo Institucional, Defesa e Liberdade Religiosa – Direitos e Deveres sobre Intolerância Religiosa, e falou sobre o caso de desrespeito com o espaço do terreiro e intolerância que ocorreu no mês de maio no Ilê Axé Oxalá Talabi por parte de conselheiros do Conselho Tutelar de Paulista.

Aguinaldo Júnior filho biológico de Mãe Dada e coordenador dos projetos realizados pelo terreiro participou da mesa com o tema: Juventude de Terreiros e Mercado de Trabalho, Aguinaldo Júnior aproveitou o espaço e falou da importância da utilização do terreiro como espaço de diálogo e promoção da sabedoria tradicional, espaço de trabalho coletivo e auto-sustentavél e também apresentou materiais das ações realizadas no Ilê Axé Oxalá Talabi, fotos e textos das atividades dos Projetos Èkó Ggajé - Multiplicando Sabedoria, do Programa Tradição, Cultura e Saúde e do Projeto Roda Alamoju .

Mãe Dada também foi homenagiada no evento e recebeu das mãos de Mãe Lúcia de Oyá, Yalorixá também de Paulista, um boquet de flores oferecido pelo Professor Jorge Arruda da CEPIR-PE, ainda no momento de homenagem foram entoados cânticos por babalorixás e yalorixás ao Orixá Xangô o Deus da Justiça em homenagem a Mãe Dada, formando uma corrente de solidariedade e afirmando o compromentimento de todos presentes com o caso ocorrido no terreiro, o enviado do Governador de Pernambuco também prestou a solariedade ao terreiro em nome de todos os movimentos estaduais contra a intolerância religiosa.

OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

I Relatório Prêmio Tuxáua Cultura Viva 2009

Após cinco meses de atividades o Projeto Èkó Gbajé - Multiplicando Sabedoria, financiado pelo Ministério da Cultura (MinC) através do prêmio Tuxáua Cultura Viva 2009 divulga o primeiro relatório da primeira etapa do projeto (cinco primeiros meses), que foi realizado no Ilê Axé Oxalá Talabi.
Segue o link do blog tuxáua onde o relatório está publicado.
Para vizualizar o relatório em arquivo PDF acesse o link

domingo, 13 de junho de 2010

Tradição, Cultura e Saúde - Vacinação no espaço do Terreiro

O Ilê Axé Oxalá Talabi pode mais uma vez em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde da Cidade do Paulista fazer parte, tornandosse um posto de vacinação para todos da sua comunidade, da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, mais conhecida como paralisia infantil. A campanha realizada pelo Ministério da Saúde vacinou crianças de 0 a 5 anos. Esta ação realizada pelo terreiro faz parte do Programa Tradição, Cultura e Saúde cujo um dos principais objetivos é a realização de ações que tenham como foco a ultilização da cultura tradicional do terreiro como ferramenta de cuidado da saúde da população e a ultilização do espaço do terreiro para promoção de politicas públicas de saúde. A vacinação ocorreu no terreiro durante todo o sábado (12/Junho), este é o 30º ano de campanha nacional de vacinação contra a pólio e o 21º ano sem a doença no país.

OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

domingo, 30 de maio de 2010

O Ilê Axé Oxalá Talabi é vítima da Intolerância

Conselho Tutelar de Paulista (PE) se apresentou com a polícia na porta do Ilê para averiguar denúncia de Ritual de Magia Negra e Crime de Cárcere Privado.

O Ilê Axé Oxalá Talabi dirigido pela Ialorixá Mãe Dada de Oxalá foi vítima de intolerância religiosa durante o mês de maio, o Conselho Tutelar da cidade do Paulista representado pelos conselheiros(as) Mércia Baracho, Renilda Vasconcelos, Joselma Nascimento e Tony Cleiton compareceram no Terreiro acompanhados(as) da força policial do estado de Pernambuco. Nas visitas as conselheiras interrogaram Mãe Dada e a acusaram de cárcere privado, além de ameaçarem a Mãe da menina que realizava o ritual de Bori de perder sua guarda. Relataremos aqui em nosso Blog todo o acontecido e por motivo de respeito a menina de 8 anos, filha de santo do terreiro preservaremos seu nome. No dia 04 de Maio de 2010 a menina foi recolhida para o Ritual de Bori, procedimento determinado pelos Orixás através de consulta ao Ifá (jogo de búzios) realizado pela Ialorixá Mãe Dada de Oxalá, a menina fora aconselhada a fazer o ritual por motivos de saúde e deveria ser iniciada no Axé por determinação de Oxalá. Sua Mãe biológica Lucineide exerce sua fé na religião Candomblé e é filha do Terreiro, com sua permissão e a do pai todo o procedimento ritualístico foi realizado, correndo o mesmo segundo Mãe Dada com toda normalidade e nos preceitos Nagô, a obrigação foi aceita pelo Orí e tudo correu bem. No dia 05 de Maio de 2010, um dia após a realização do Bori, o Conselho Municipal da Cidade do Paulista representado pelas conselheiras Mércia Baracho e Renilda Vasconselos e acompanhado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco compareceram ao Terreiro para averiguar a denúncia de que o mesmo realizara rituais de Magia Negra com uma criança. Mãe Dada no entanto contestou o fato e convidou as conselheiras para entrar no Terreiro e verificar com seus próprios olhos que não havia nada fora do comum com a menina, e explicou porque o ritual foi realizado, além de explicar a importância do mesmo para o povo de Terreiro. Mãe Dada constrangida e indignada permitiu que a conselheira Mércia Baracho entrasse no Peji (quarto sagrado dos orixás) para ver que a menina estava bem. A mãe da menina foi solicitada a comparecer no terreiro e deslocou-se do seu trabalho até o mesmo e apresentou a autorização por escrito para que a menina participasse do ritual religioso. Neste momento, a conselheira disse que a menina não poderia permanecer tantos dias assim no local e que isso não ficaria bem dessa forma. Cabe destacar que as conselheiras não apresentaram nenhum documento formal/escrito para realizar a visita ao Terreiro, o que é caracterizado como invasão e também não deram nenhum tipo de identificação das denúncias recebidas. Pertubada com as pressões das conselheiras, Mãe Dada buscou acessoria jurídica ao Observatório Negro de Pernambuco, que enviou uma advogada para lhe auxiliar. No dia 06 de maio de 2010, a mãe da menina autenticou todas as autorizações no cartório da cidade, já que a conselheira tinha ameaçado a mesma de perder a guarda de sua filha se a menina permanecesse no terreiro. Cabe destacar que neste momento todo o prosseguimento normal do ritual religioso foi prejudicado pela intervenção violenta do conselho e da força policial, além de Mãe Dada e toda a comunidade do terreiro sentirem-se feridos e ofendidos em seus princípios religiosos. A advogada acionou o Ministério Público e Mãe Dada foi escutada. No dia 07 de maio de 2010, o Conselho Tutelar retornou ao terreiro com auxílio da força policial, para averiguar nova denúncia, esta mencionando o crime de cárcere privado. A filha de santo do Axé e psicóloga Adriana de Holanda, conversou com a conselheira Mércia Baracho, que afirmou que “a promotora não aceitaria uma situação dessa, com a menina perdendo tantos dias de aula e que ela teria que sair dali naquele dia”. Adriana pediu que fossem apresentados documentos com a decisão do Ministério Público por escrito. O que não foi apresentado. Vários irmãos do terreiro questionaram a nova “visita” do Conselho Tutelar de Paulista já que as mesmas conselheiras já haviam constatado que a menina estava bem e com a autorização da família. A conselheira Mércia chegou a querer conduzir Mãe Dada para o Fórum, falando “Tenho que cumprir o meu trabalho. Pegue suas coisas e a menina para fazermos uma conversa imediatamente com a promotora. Aí fica tudo esclarecido", e a mesma ligou para o advogado da Prefeitura de Paulista para que ele explicasse porque a menina não poderia permanecer no terreiro. A Iakekerê do terreiro Luciany Barbosa falou com o advogado por telefone, o mesmo disse que entendia destes rituais " sei que vão raspar a cabeça da menina e vão retalhar ela, eu sei o que é um bori e posso até lhe dar uma aula sobre isto, destes rituais eu conhesso". No mesmo dia a conselheira Joselma Nascimento adentrou no Pejí o local mais sagrado do terreiro para interrogar a menina sem autorização de Mãe Dada e sem trajes adequados para o mesmo, inclusive usando sapatos. No mesmo dia, Mãe Dada e a mãe da menina registraram na delegacia as ameaças, constrangimentos e impedimento do ritual religioso realizados pelo Conselho Tutelar da Cidade do Paulista. No mesmo momento, as conselheiras se dirigiram a Juíza da infância da cidade para relatar os fatos. Na noite do dia 07 de maio de 2010, as conselheiras retornam ao terreiro de Mãe Dada para lhe “pedir desculpas” e enviar um recado da juíza, de que o “fato que houve ali foi um erro e que ela admirava a religião de Mãe Dada”. No dia 08 de maio de 2010, Mãe Dada foi levada até a Unidade de Pronto Atendimento - UPA da cidade de Paulista para receber atendimento médico devido aos aborrecimentos provocados pela situação descrita, que alterou o seu estado de saúde. Na semana seguinte aos fatos descritos, a conselheira Renilda Vasconselos foi até a residência de Mãe Dada, mas Mãe Dada não estava em casa, segundo a mesma gotaria de propor para a mãe da menina e a Mãe Dada “um negócio que seria bom para todos”. Insatisfeita, a conselheira dirigiu-se até a casa da menina e utilizou o nome do terreiro para entrar na residência, como a mãe da menina estava no trabalho e quem estava em casa no momento da visita era seu pai, a conselheira falou que era da casa de Mãe Dada para o pai permitir a sua entrada, a conselheira entrou na casa e foi direto para o quarto da menina, quando a irmã da menina a viu falou ao pai que aquela era a conselheira. No último dia 29 de Maio de 2010 a conselheira Renilda retornou a residência de Mãe Dada para conversar sobre o acontecido, quem a recebeu foi sua filha e Iakekerê Luciany Barbosa.

É importante destacar que no terreiro, há vários projetos sócio-culturais com as crianças da cidade e que trabalha justamente na desmistificação do terreiro como local impróprio da convivência social. Na semana dos fatos descritos acima, nenhuma criança compareceu as atividades. Aqui em nosso blog divulgamos sempre o movimento cultural do nosso Terreiro.

Para nós neste caso um dos fatores inadimicíveis foi o desrespeito com a pessoa da nossa Ialorixá Mãe Dada de Oxalá e o desrespeito com o nosso terreiro, Mãe Dada já recebeu importantes títulos do Ministério da Cultura no âmbito da cultura e da religiosidade, em 2008 foi contemplada com o título de Mestra da Tradição Oral pelo trabalho espiritual e de transmissão dos saberes de utilização das ervas que desenvolve em seu terreiro e em 2009 recebeu o título de Tuxáua, articuladora de redes sociais, realmente é um desrespeito e uma tentativa de denegrir a imagem de uma representante das religiões de Matrizes Africanas tão importante para nossa religião.

Contamos com o apoio de todos irmãos de fé, sabemos que essa luta não é fácil, mas continuamos em frente em defesa da liberade religiosa que é assegurada por lei. Por fim gostaríamos de agradecer a todos que vem nos apoiando.

OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS o texto acima é exclusivamente do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim sua reprodução, divulgação e utilização para qualquer fins sem prévia autorização.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Comemoração do Dia das Mães


O Ilê Axé Oxalá Talabi realizou neste último domingo dia 09 de maio uma homenagem as mães da comunidade do Terreiro que tem seus filhos como integrantes do Projeto Roda Alamoju. A festa também contou com a presença de mães que participam das atividades realizadas pelo terreiro através do Programa Tradição Cultura e Saúde e do Projeto Èkó Gbajé - Multiplicando Sabedoria. O encontro contou com a exibição de filme realizado através do intercâmbio com o Ponto de Cultura Ensinamentos de Mãe Preta com a participação de Rafaela Lima do Ilê Oyá Togun, além de distribuição de presentes e cestas básicas. Também foram realizadas as homenagem pelas crianças alunas do projeto roda Alamoju, um momento emocionamte que todos gradaram para sempre na memória.

Mãe Dada aproveitou o momento para falar da importância da realização das atividades coletivas e que contam com a presencia da família, o terreiro serve de espaço para convivencia educacional e social de todos da comunidade. Ela destacou também a importancia do trabalho realizado especificamente com as mães, como as oficinas de estamparia, as oficinas de artesanato e de culinária afro-brasileira e destacou também que as mãe e as mulheres são figuras de fortaleza e exemplo para todos da comunidade do Terreiro. "Muitas mães e mulheres da comunidade passam por dificuldades, por preconceito, exclusão, violência, por falta de acesso aos bens culturais e muitas outras coisas, por isso que afirmo e sempre falo da importância das atividades que realizamos dentro do Terreiro para as mulheres, isso é importante porque resgata o valor da mulher e de sua criatividade, de sua capacidade de modificar a realidade. O espaço criado através destas atividades servem também para tratarmos de assuntos diversos..."



Gostaríamos de aproveitar para parabenizar todas as Mães filhas do Ilê Axé Oxalá Talabi, mulheres guerreiras que ensinam dia a dia os verdadeiros valores da vida. Parabéns a todas.



Agradecimentos:


Filhos e Amigos do Ilê Axé Oxalá Talabi


Ponto de Cultura Ensinamentos de Mãe Preta


R&W Frutas e Verduras


e a todos da Comunidade do Terreiro.


OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.

domingo, 18 de abril de 2010

Projeto Roda Alamoju Comemora o Dia de Monteiro Lobato e do Livro Infantil

O Projeto Roda Alamoju realizou nesta sexta-feira dia 16 de abril, um passeio para a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, na visita as crianças participaram das atividades em comemoração ao Dia Nacional do Livro Infantil em homenagem ao escritor Monteiro Lobato. Na ocasião tiveram contato com a Obra do escritor e participaram de atividades de construção de materiais educativos com personagens marcantes da obra - O Sítio do Pica Pau Amarelo que entre os personagens destacam-se:
Emília a boneca falante, Dona Benta, Tia Nastácia, Pedrinho e Narizinho, Visconde de Sabugosa, Tio Barnabé, Rabicó, dentre vários outros que foram surgindo através das diferentes histórias. Em suas obras, Monteiro Lobato também apresenta personagens do folclore brasileiro, como o Saci Pererê e a Cuca.
O Projeto Roda Alamoju que conta no ciclo de suas atividades com Rodas de Leitura comemorou o dia do livro infantil em grande estilo, a importância do contato com o livro e a leitura de forma lúdica é um ponto importante afirmado pelo projeto através do espaço de atividades criado no Terreiro, o passeio foi muito valoroso para todos porque propocionou principalmente para as crianças a possibilidade de interação em espaços públicos de acesso a informação e ao lazer.
OBS: TODOS OS DIREITOS RESERVADOS as fotografias, vídeos e textos são exclusivamente do acervo de pesquisa do Ilê Axé Oxalá Talabi, ficando proibida assim suas reproduções sem prévia autorização.