Fundadores

Maria da Solidade Sousa França (Mãe Dada de Oxalá)
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Maria da Solidade Sousa França nasceu em 12 de Agosto do ano de 1949, na cidade de Limoeiro, cidade localizada na Região do Agreste de Pernambuco que de acordo com as histórias e lendas fora uma grande aldeia de índios tupis e era uma região de muito limoeiros (pés de limão). Filha de Severina Amélia de Sousa (Dona Biu), costureira muito conhecida na feira de Paulista, aonde manteve por muitos anos um banco de confecção, e de Manoel José de Sousa, trabalhador de cultivo da Terra, que saiu de casa muito cedo ainda em Limoeiro, deixando para trás seus quatorze filhos. Com quatro anos de idade Mãe Dada mudou-se com sua família para a cidade de Paulista, ao norte do estado de Pernambuco. Chegaram na cidade no ano de 1953, dezoito anos após a emancipação de Paulista que foi o segundo distrito de Olinda até 1935 ano ao qual se converteu em município independente. Mãe Dada e seus irmãos acompanharam todo o processo de desenvolvimento e expansão da cidade durante a infância e juventude. De uma inteligência ímpar e muita habilidade, Mãe Dada aos sete anos de idade aprendera a Ler, a primeira entre os seus irmãos. Por conta disto começou a dar aulas de reforço escolar em sua casa, Dona Biu sua mãe achou que a atividade poderia seu uma maneira de fortalecer o orçamento da casa e ajudar no sustento da família. Anos depois Mãe Dada se formara professora e abriria sua própria escola. Casou-se aos dezessete anos com Aguinaldo Barbosa de França, seu primeiro namorado, com quem teve três filhos.

Sua trajetória religiosa se deu inicialmente por motivos de doenças, Mãe Dada começara a ter inúmeros problemas de saúde que segundo os médicos não tinham um diagnóstico exato. Foi levada por seu esposo a casa de Dona Maria do Coité, rezadeira muito amiga de Dona Altina, sua sogra. Chegando lá o caboclo da rezadeira dissera que ela imediatamente fosse "feita na seita do santo", pois o caso era de herança, e, Ogun, Orixá ancestral da família de seu esposo, ao aceitar ela como companheira dele já sabia que os dois tinham uma missão a cumprir juntos. De fato o caboclo tinha razão, menos de seis meses depois da consulta acontecera algo que modificaria o seu destino, Mãe Dada recebera como herança espiritual o Orixá de sua avó e a responsabilidade de dar continuidade ao ritos espirituais da família. Por este motivo fora determinado pelo jogo de búzios a urgência de sua iniciação, o que de fato veio a acontecer. Iniciou-se no culto dos Orixás pelas mãos do Babalorixá Miguel Felipe de Melo - Tàlábían (Pai Miguel de Oxalá), filho espiritual de Lígia Alves da Silva - Tàlàbí (Vó Lígia de Oxalá) e pela Iyalorixá Joana Maria - Oyá Egunitá (Jane de Oyá), filha espiritual de Otíla Paulina da Conceição - OyáAdeiná (Vó Otila de Oyá), fora consagrada a Òsàlúfón e recebera quando Ìyàwó o nome iniciático Tàlàbí Deiyn (aquela que nasceu do branco chegou agora), mais tarde tomara o posto de Egbomi e posteriormente de Iyalorixá e Iyalaxé fundadora do seu próprio Terreiro. Em 21 de janeiro do ano de 1991 fundou junto ao seu esposo e familiares o Ilé Àse Òrìsànlá Tàlàbí (Casa de Força do Grande Orixá que Nasce do Alá). Fora Iniciada também no culto da Jurema Sagrada, aonde tomou posto de Mestra Juremeira, chefe do culto na liturgia da Jurema Sagrada do Mestre João e da Mestra Maria Amélia - Jurema Sagrada do Rei Salomão.

Ao longo de vinte e dois anos Mãe Dada manteve em seu Terreiro a realização do calendário litúrgico e festivo das divindades e encantados cultuados na tradição da casa. Em 2008 Mãe Dada recebera o título de Mestra da Tradição Oral do Brasil, concebido pelo Ministério da Cultura através da Ação Griô Nacional, fruto do desdobramento do seu trabalho ritual com as ervas. Mãe Dada de Oxalá faleceu na cidade de Paulista no dia 04 de maio de 2013, fora sepultada no jazigo da Associação Beneficente, Cultural e Religiosa Ilê Axé Oxalá Talabi no Cemitério Morada da Paz. Atualmente o Terreiro Axé Talabi é dirigido pelos seus filhos carnais, conforme determina a tradição da casa. Mãe Dada já recebera inúmeras homenagens in memoriam, entre elas a da Rede Mulheres de Terreiro de Pernambuco, o Prêmio Mourão que Não Bambêia do Kipupa Malunguinho e Moção Honrosa in memoriam do Instituto Gingas de Cultura Afro-brasileira.

Aguinaldo Barbosa de França (Painho de Xangô)

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Aguinaldo Barbosa de França nasceu em 22 de Dezembro do ano de 1944, na cidade de Paulista, cidade localizada ao norte do estado de Pernambuco. No ano de 1535 Paulista era um vilarejo com duas freguesias: Paratibe e Maranguape, e formava parte da então vila de Olinda. De acordo com as histórias e lendas Paratibe e Maranguape fora reduto de índios e negros, uma região de vasta articulação quilombola. Filho de Altina Barbosa de França (Dona Altina), comerciante da mercearia da rua da aurora, trabalhava com venda do fumo de rolo, e de Antonio Barbosa de França, fotógrafo que contratado por uma empresa de São Paulo  saiu de casa deixando seus cinco filhos para trabalhar na cartografia do nordeste e nunca mais voltou. Painho de Xangô fora criado por seu Avô materno, seu Horácio Mendonça, ao qual chamava de Papai, seu Horácio era um grande conhecedor da liturgia dos Orixás e da Jurema Sagrada, aprendera com seu Pai, um filho de Ogum frequentador assíduo da Casa de Iansã no Pátio do Terço, os saberes e magias dos Ancestrais e Orixás. Sua bisavó Dona Cosma Mendonça era uma filha de Ogun que ficara muito conhecida na cidade por que em certa ocasião utilizou um facão para decapitar cinco homens que tentara roubar sua safra de algodão. Na mercearia do seu avô Horácio, Painho de Xangô cresceu, e conviveu com a nata dos mestres, sobretudo, os mestre do Coco da então aldeia de Paratibe, pois seu avó era um grande incentivador (patrocinador) das sambadas de São Pedro e São João e grande amigo pessoal de Manoel Gomes (mestre Mané Gome) um dos precursores deste ritmo na aldeia. O coco do mestre Mané Gome que inicialmente era um Coco de Sala (modalidade conhecida do Coco onde se afasta os móveis da casa para realizar a brincadeira entre família) fora realizado durante anos em frente a mercearia da família de Painho de Xangô.

Sua trajetória religiosa se deu por herança familiar. Certa vez, aos sete anos de idade, Painho de Xangô acordara muito assustado e muito suado com um sonho que acabara de ter, sonhara que a mercearia do seu avó ao qual ele ia todos os dias ajuda-lo estava em chamas, tinha pegado fogo, não tinha sobrado nada, era muito fogo mesmo. Ao acordar foi correndo contar a sua mãe, a mesma foi imediatamente a seu Horácio, que logo recorreu ao jogo de búzios. Para surpresa de todos era Xangô, Orixá do Fogo e dos trovões que já se apresentara e vinha dar um recado, determinara que o menino de seis anos fosse iniciado. Em meados de 1950/1951 Painho de Xangô tomara o seu primeiro Bori (ritual e dar comida a cabeça), realizado pelo seu avô Horácio Mendonça e fora iniciado nos mistérios dos Orixás, recebera o nome de Obá Dodê (Chegou o Rei). Com doze anos de idade recebera o Posto de Òlòfiná (senhor do Fogo) responsável por acender a fogueira ritual de Xangô, atividade que executou durante 57 anos. Ogun, o Orixá ancestral de sua família, o Orixá de sua bisavó, autorizou o casamento de Painho de Xangô com Mãe Dada de Oxalá, os dois tinham algo a realizar juntos. De fato, em 26 de janeiro de 1991 fundou junto a sua esposa Mãe Dada de Oxalá o Terreiro Nagô Ilé Àse Òrìsànlá Tàlàbí (Casa de Força do Grande Orixá que Nasce do Alá), aonde exerceu o cargo de Àlàábo do culto a Xangô na tradição do Terreiro.

Todo o terreno da comunidade Axé Talabi é fruto do trabalho suado de Painho de Xangô na feira de Paulista e de Mãe Dada de Oxalá na escola. Ao longo de vinte e dois anos Painho de Xangô ajudara diretamente a manter a realização do calendário litúrgico e festivo das divindades e encantados cultuados na tradição da casa. Painho de Xangô faleceu na cidade do Recife no dia 18 de maio de 2013, apenas quatorze dias depois que enterrou com seus filhos sua esposa Mãe Dada, Painho de Xangô não ficaria sozinho, respeitou a palavra de Ogun e subiu ao Orún com sua mulher. Fora sepultado no jazigo da família no Cemitério Municipal de Paulista. Atualmente o Terreiro Axé Talabi é dirigido pelos seus filhos carnais, conforme determina a tradição da casa

Painho de Xangô e Mãe Dada de Oxalá
Terreiro Axé Talabi - Ciclo Ritual e Festivo de Oxum
Toque da Cesta de Oxum 2011.
Foto: Aguinaldo Júnior



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